Atenção, empreendedor: Brasil deve ser a próxima China em vendas por celular

E-commerce brasileiro ainda rende no desktop. Mas a tendência é de que o Brasil vire a próxima China e de que as vendas por celular disparem. Por isso qualquer negócio deve nascer já cabendo na telinha do aparelho

Você sabe o que é mobile commerce? As vendas por celular e tablet são a grande tendência do e-commerce no Brasil.

A Alibaba fechou ano passado com um dado bizarro, mesmo para padrões chineses. A empresa é tipo uma Amazon oriental, que vende de tudo em seu site. De tudo que foi vendido na China, em 2016, 80% foi via celular. São 13 bilhões de dólares. Quase o dobro do ano anterior. E adivinha quem pode ser o próximo país a entrar nessa onda? Isso mesmo, o Brasil. E quem ainda não olha para o celular como uma plataforma de e vendas pode perder muito dinheiro nessa história.

A tendência é a seguinte: cada vez mais gente comprando em lojas virtuais, e cada vez mais pelo celular. Vale lembrar que o e-commerce cresceu nos últimos anos, mesmo com a crise brutal que atingiu a economia brasileira (foram dois anos seguidos de queda do PIB). O varejo físico não teve a mesma sorte, e encolheu 10% nesse período. 

Os motivos são vários. O mais evidente é a evolução da tecnologia. Smartphone virou sinônimo de celular (salvo algumas exceções, como os microcelulares dos presídios). Os aparelhos e aplicativos melhoraram. Ficou mais fácil pagar boleto, pagar contas. Para ter uma ideia, só 5% dos brasileiros usavam o celular para acessar a internet, em 2010. 

Mas esse boom tecnológico também ganha ares de inclusão digital, em alguns locais, em especial. É o que explica Alejandro Vasquez, co-fundador da Nuvem Shop, plataforma de e-commerce latinoamericana: 

A economia da China, assim como a do Brasil, cresceu muito rápido nos últimos anos. E muitos usuários pularam esse passo de ter um computador em casa, o que faz com que o mobile seja ainda mais relevante nesses mercados. Para se ter uma ideia, estima-se que, até o final de 2019, um em cada dois brasileiros vai ser usuário da internet pelo celular. 

Os números brasileiros ainda são tímidos, perto dos chineses. De todas as transações feitas em lojas virtuais, no ano passado, 21,5% foram pelo celular. Os dados são da consultoria Ebit, que realiza pesquisas constantes do mundo do e-commerce. 

Mas o crescimento fica mais evidente se colocando em perspectiva. Em 2015, os celulares abocanharam só 12% das compras virtuais. Até o final deste ano, a previsão é de que uma em cada três compras seja feita mobile. 

A Nuvem Shop trabalha com números mais ousados. A previsão é de que metade das vendas pela plataforma seja mobile, até o fim do ano. 

Mais um número. Lembra que a Alibaba atingiu 80% de vendas mobile, no ano passado? Pois no primeiro semestre deste ano o site já alcançou os 85%. 

Tá, mas o que isso significa?

Vender pela internet é bem diferente de “ao vivo”. Tudo muda. O mesmo vale para o celular. O mobile commerce não é um mero e-commerce numa telinha pequena. É toda uma nova experiência de compra e venda. Muda o comportamento do consumidor. 

Um exemplo. Há três anos, quando abriu um brechó virtual, a empresária Elis Iafélix notou que quase ninguém acessava o site pelo celular. Quando entrava, ficava menos de um minuto e já saía. Dava até a impressão de que as pessoas clicavam por engano, mas não tinham nenhum interesse de ver uma loja virtual pelo smartphone. 

Repare que três anos não é muito tempo. Hoje, quase 90% das clientes do Com Eira e Beira conhecem a loja pelo celular. Metade delas (a maioria é de mulheres, na casa dos 30 a 45 anos) já fecha a compra por ali mesmo. 

As demais (49%) escolhem por ali e depois acessam o computador, para fechar a compra. “Em geral são pessoas que compram via boleto, e elas querem imprimir, ou copiar e colar o código de barras”. No celular, a maior parte das compras é feita no cartão de crédito. 

Tem tudo a ver com a forma como as clientes chegam ao Nem Eira. A maior parte delas chegam via rede social, principalmente Facebook e Instagram. Muitas clientes acessam estas plataformas pelo celular, e já caem no site, fazem a compra, pagam no internet banking. Tudo em um lugar só. 

Como ter uma loja amigável para celular

Alejandro Vázquez, da Nuvem Shop, dá sete dicas para quem vai se aventurar no mundo das vendas virtuais ofertar uma boa experiência ao usuário mobile.

Formatos adequados 

O site que o consumidor vê no celular não pode ser o mesmo que abre na tela do computador. O layout deve ser simples, e com tamanhos adequados à tela pequena. Uma opção são os sites responsivos, aqueles que vão mudando de formato conforme a tela vai aumentando (eles inclusive são melhor rankeados no Google). 

Seja bem simples 

Deve ser fácil chegar no produto desejado, e também efetuar a compra, pelo carrinho. O usuário deve efetuar o menor número de cliques possível. 

Detalhamento 

Os sites desenhados para celular costumam eliminar ruídos, já que o cliente não consegue enxergar tudo que tem no site de uma vez só. Mas isso não significa retirar conteúdo. Os produtos devem ter o máximo de detalhamento possível. Pense que os detalhes técnicos devem ser ricos a ponto de a pessoa não precisar ter o produto em mãos, para decidir comprar. 

Formas de pagamento 

Tenha opções de pagamento variadas, além de opções de parcelamento. O preço do frete deve ser razoável. Hoje o valor do frete é o principal motivo de abandono dos carrinhos de compra. Uma opção é incentivar compras maiores e fazer de forma gratuita. 

Suporte 

Disponibiliza o maior quantidade de canais de atendimento possível. Whatsapp, telefone, chat. O suporte é como um vendedor virtual. Evita que o consumidor desista da sua compra, e até o incentiva a gastar valores maiores, devido à confiança. 

Política de trocas 

A política de trocas deve ser clara e simples. Se a troca for gratuita, é importante informar isso para o consumidor já na hora da compra, para aumentar a segurança. 

App ou não app 

Eis a questão. Ter o aplicativo próprio da loja pode ser uma opção. Mas não é imprescindível para ter uma loja virtual. Concentre primeiro em cumprir com o básico e, depois, avalie se o app é adequado para você. Em geral, ter um aplicativo é mais interessante para gerar engajamento, ser um canal de contato com o usuário. Vale para alguns nichos. Para outros, não.

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